sábado, 22 de novembro de 2014

VAZIO - N° 518

Um dia desses, o meu amigo e colega, Prof. Attico Chassot,  nos desafiou a enfrentar uma página em branco. Confesso que se trata de um risco sério. Bom... saiu isso que está aí abaixo:


"Tenho uma enorme angústia quando vejo esta página, assim, sem nada. A mim parece que o mundo perdeu seu sentido, deixou de existir. Tenho uma sensação de vazio, de nada, de abismo sem fundo. Minha compulsão imediata é tomar a caneta e preencher todos os espaços com uma narrativa que faça sentido, que pelo menos tenha o sentido de me transportar da sensação niilista para a noção de que há sentido nestes espaços, que agora, não estão mais imersos no nada!".

segunda-feira, 11 de março de 2013

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

ANO 03 - Nº 517

A escolha das lideranças da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, uma Comissão tão importante assim, precisa respeitar as condições mínimas de competência cultural e humana. Não pode ser fruto de decisões do fatiamento político de cargos.

Compartilho a Moção de Repúdio do CONIC, publicada em 9 do corrente:


terça-feira, 18 de setembro de 2012

A INTOLERÂNCIA - ANO 02 – Nº 516


A INTOLERÂNCIA

Muito cedo hoje, quando abri minha página do Facebook encontrei uma mensagem do meu filho pedindo alguma literatura sobre a intolerância religiosa que têm feito tantas vítimas nos últimos dias. Pior ainda quando essa intolerância vem trasvestida de confronto político e acirramento de ânimos. A propósito desse tema, encontrei o tema na coluna do Hélio, da Folha de São Paulo, postada nesta mesma madrugada que recomendo aos leitores desse blog:


SAUDADES DO POLITEÍSMO[1]

Hélio Schwartsman - 18/09/2012 - 03h30


SÃO PAULO - A sensação de "déjà-vu" é inescapável. No início de 2006, foram os protestos que se seguiram à publicação, por um jornal dinamarquês, de charges ridicularizando o profeta Maomé. Cem mortos.

Alguns meses depois, muçulmanos foram às ruas para pedir a cabeça do papa Bento 16, por ter supostamente afirmado que o islã era uma religião violenta. Ao menos uma freira foi assassinada. Agora, os tumultos têm como pretexto um obscuro filme anti-islâmico postado no YouTube. É cedo para contabilizar os mortos.

Não sou um especialista em exegese corânica, mas não creio que possamos atribuir a, vá lá, veemência islâmica a especificidades de seu texto sagrado. O Antigo Testamento, que é canônico para judeus e cristãos, traz injunções tão ou mais violentas do que o Corão. Quem duvida pode consultar o Deuteronômio, 13:7-11, onde somos instados a apedrejar nossos familiares que tenham se afastado de Iahweh.

A diferença entre o islã e o Ocidente, creio, está no fato de que, por aqui, passamos por um processo de secularização que teve início no Iluminismo e afastou a maioria dos fiéis de interpretações literais da Bíblia. Os muçulmanos estariam apenas no início dessa jornada, que, na melhor das hipóteses, ainda levará décadas.

Se há um problema mais propriamente teológico, ele é comum às três religiões abraâmicas e reside no fato de elas se pretenderem universais e fundadas numa verdade revelada pelo próprio Deus. Assim, se os cristãos estão certos, judeus e muçulmanos estão necessariamente em apuros e vice-versa duas vezes.

Sob esse aspecto, éramos mais felizes nos tempos do politeísmo, cujos deuses não eram tão exclusivistas nem ciumentos. Gregos, romanos e acádios podiam passar boas horas bebendo e apontando as semelhanças entre Afrodite, Vênus e Ishtar. É verdade que isso não os impedia de se matar logo depois, mas pelo menos não era por causa da religião.



[1] SAUDADES DO POLITEÍSMO. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/1154991-saudades-do-politeismo.shtml. Acesso em 18 set 2012.

domingo, 12 de agosto de 2012

ABBA - ANO 02 – Nº 515


ABBA


Idelson Meirelles Garin
(1916-2009)
foto colhida em 18/06/2008
Em minha memória encontro meu pai bem próximo. Éramos companheiros de labuta em busca do pão de cada dia. Sobre uma carroça cheia de lenha, peregrinávamos pela cidade, tentando vender o produto, cujo resultado era convertido em mantimentos, para quinze dias, de toda a família. Calor, frio e chuva faziam parte deste cenário de luta conjunta.

De uma coisa sempre guardo lembrança: a despeito do sacrifício, papai sempre teve muita esperança e fé. Depois de longa jornada sem conseguir comprador para a lenha ele sempre acrescentava: “pode ser que o Arnoldo nos compre esta lenha – Deus há de ajudar!”. Amanhã estará fazendo três anos de seu falecimento.

Estas lembranças me remeteram a outra relação envolvendo Pai e Filho. Encontramos, no Evangelho, momentos de proximidade entre Jesus e Deus, em que ele O trata de Abba. É uma expressão aramaica que determina uma aproximação especial. É utilizada entre uma criança muito pequena para com seu pai. Nesta relação está contido todo o sentimento de dependência e segurança que o filho sente em relação ao seu pai.

Quando o Jesus utiliza esta palavra para se dirigir a Deus está se referindo à sua dependência e segurança que encontra no Pai. Como uma criança pequena, a sua segurança está no Pai, a sua vontade é a realização do reino do Pai. Enfim, tudo se resume nesta relação de extrema afinidade e dependência.

Neste Dia dos Pais, minha homenagem a todos os pais que leem esse blog.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

MUITO OBRIGADO - ANO 02 – Nº 514


MUITO OBRIGADO
ANO 02 – Nº 514

Esta edição é para manifestar o meu agradecimento a todas as pessoas que acompanharam este blog diariamente. De forma muito especial, o meu agradecimento ao colega e amigo Prof. Attico Chassot, que além de realizar a leitura diária também sempre deixava o seu comentário que muito me estimulou durante estas 514 edições.

A partir de hoje as edições serão ocasionais sempre que algum assunto representar um motivo expressivo.

Votos de uma ótima quarta-feira a todos(as) os leitores(as)!

Norberto da Cunha Garin 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A BABÁ - ANO 02 – Nº 513


A BABÁ

Sábado passado estávamos almoçando no Buffet no qual fazemos as refeições quase todos os dias. De repente, percebi que entrou uma família no restaurante trazendo consigo uma criança de mais ou menos dois anos e meio. Procuraram uma mesa próxima da nossa e começaram a “montar o acampamento”.

Chamou a atenção quando a criança começou a resmungar. Tenho certeza de que não era choro. Era um pré-choro. Imediatamente uma mulher, a quem imagino que era a mãe, tirou de sua enorme bolsa um equipamento, que ligado, revelou-se um DVD player onde começou a exibir um filme infantil de desenho.

A criança debruçou-se sobre a cadeirinha e permaneceu fixa com os olhos quase encostados na tela do aparelho. Ficou ali quietinha, comendo de vez em quando, enquanto os demais componentes da família almoçavam acompanhados de uma cerveja e conversavam animadamente.

Fiz vários questionamentos. Claro que não foram dirigidos à família, nem em público. Foram para mim mesmo. Será que a companhia da criança é apenas aquele aparelho? Como será que a criança está construindo a imagem de um almoço de família? Qual é o lugar da criança no contexto daquela família? Seria essa a melhor forma de estabelecer uma conversa entre os adultos e a criança? Teria a criança entendido que a vida é uma questão exclusivamente de interesses individuais? Teria entendido que tudo é apenas uma questão de prazer?

Não sei as respostas!

Votos de uma terça-feira de convívio e reflexão!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

OS DRONES - ANO 02 – Nº 512


OS DRONES


Nunca foi muito diferente, acretido, mas na contemporaneidade estamos expostos a riscos e ameaças cada vez mais abrangentes, dada a globalização das comunicações e do desenvolvimento tecnológico. Como esse desenvolvimento anda a passos muito mais rápidos do que o humano, antes que as regulamentações se estabeleçam, muitos estragos podem ser feitos. Refiro-me à utilização dos chamados “drones” (zangões em português), artefatos teleguiados que podem executar as mais diferentes missões à distância, sem a presença do seu “piloto”. Seguidamente temos nos encantado com suas missões “perigosas”, mas que podem se tranformar numa ameaça às liberdades individuais num futuro bem próximo. Confiram a reportagem da Luciana Coelho, da Folha Online de ontem:



COMO VEÍCULOS NÃO TRIPULADOS PODEM MUDAR NOSSO COTIDIANO[1]

Luciana Coelho
de "washington" 05/08/2012

O futuro é dos "drones", e o futuro está muito mais perto do que você imagina. A palavra que define os veículos não tripulados, operados remotamente no ar, na terra ou na água, foi roubada do inglês (significa "zangão"). Hoje eles são produzidos em pelo menos 45 países, inclusive no Brasil.

Antes exclusivos do arsenal militar, começam a migrar para o cotidiano na forma de aspiradores de pó, brinquedos e sistemas de vigilância policial. E, em um futuro próximo, talvez na forma de aranhas que poderiam matar você no banheiro de sua própria casa.

A sorrateira aranha --a assassina perfeita, que não deixa pistas e oculta o mandante-- é uma imagem exagerada que a professora de leis humanitárias Gabriella Blum, da Universidade Harvard, criou para sublinhar que esse tipo de robô não está mais confinado às operações contrainsurgentes conduzidas pelos americanos no Afeganistão e no Paquistão.

Especialista em legislação de conflitos armados e operações de contraterrorismo, a pesquisadora israelense alerta que a banalização dos drones não só vai embaralhar as leis da guerra, mas também a vida em sociedade, ao transformar qualquer indivíduo em mini-Exército potencial.

O cenário que Gabriella desenha no ensaio "Invisible Threats" (ameaças invisíveis, leia em bit.ly/invisi blethreats) tem as cores sombrias de "Blade Runner" (1982), com o perturbador agravante de soar mais iminente e verossímil.

Diferentemente do filme de Ridley Scott no qual Harrison Ford vive um caçador de androides, o ensaio trata de fatos já em curso, que podem alterar nosso modo de convivência, com a disrupção do contrato social e a ascensão de uma sociedade de todos contra todos.


[1] COMO VEÍCULOS NÃO TRIPULADOS PODEM MUDAR NOSSO COTIDIANO . Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1130825-como-veiculos-nao-tripulados-podem-mudar-nosso-cotidiano.shtml. acesso em 05 ago 2012.